Quando a gente sai de um relacionamento longo, intenso e verdadeiro, costuma passar por um processo de reorganização pessoal que apesar de ser extremamente doloroso, é absolutamente necessário. No meu caso, o período se resumiu em algumas fases:
Fase I: A Fase do ESQUIZÓIDE-OBSESSIVO-PARANÓIDE
- sem dúvidas essa é a fase mais trash de todas. É nela que vários pensamentos suicído-maníacos-compulsivos vêm à nossa cabeça. Frases do tipo:
…me desculpe, no momento eu não posso atender porque eu to indo ali pular de um precipício!
ou
Doninha, quero que as minhas cinzas sejam enterradas ao lado de uma caixa de peppakakor!
ou ainda
Mãe, eu juro que vou entrar para um convento, virar celibatária e usar calcinhas bege broxante por toda a eternidade!
passam a ser freqüentes nos nossos diálogos. Nessa fase, ABSOLUTamente n-a-d-a nos consola. As lágrimas são incontroláveis e a única coisa que faz você se sentir melhor é: devorar uma caixa inteira de chocolates da Kopenhagem e COLO: dos pais, da irmã, das amigas, dos colegas de trabalho, da cachorrinha de estimação, da manicure, do atendente do Mc Donalds, e de quem mais tiver disposto a oferecer.
É um período no qual a gente ainda alimenta esperanças de volta, que todos os acontecimentos nos remetem à pessoa amada e que você só consegue recordar a parte boa do relacionamento. A gente fica sem vontade nenhuma de viver, de trabalhar, de encontrar pessoas. Infelizmente, a única solução é ter paciência e esperar o tempo cumprir o seu papel. No meu caso específico, esse período durou dois meses completos.
Fase II: A Fase do AGORA-EU-SOU-SOLTEIRA-E-NINGUÉM-VAI-ME-SEGURAR.
Depois de dois meses vivendo momentos de dor intensa, a minha ficha finalmente caiu. Sou solteira e preciso sair da fossa. Como eu já estava fora do mercado há muito tempo, precisei me atualizar. Fiz uma pesquisa intensa sobre o roteiro da pegação em Brasília, tudo isso pra tentar virar uma piriguete de verdade. Procurei os barzinhos da moda, as baladas da moda, os shows da moda, as músicas da moda, os drinks da moda, os flertes da moda e, principalmente, os caras da moda. Foi aí que veio a decepção: O Distrito Federal é uma selva! Existem 28326672121873923198233218632178 mil mulheres (lindas) para cada homem. Caras legais, solteiros, bem sucedidos, heterossexuais, que medem mais de 1,70 são artigos de luxo e disputados a tapa no mercado piriguetício.
As primeiras saídas foram tenebrosas. Você simplesmente não sabe o que vestir, o que falar, como agir, como dançar e quando um cara se aproxima você faz uma cara de quem acabou de cometer um homicídio triplamente qualificado e o coitado sai correndo de desespero. No meu caso específico, eu sempre me considerei um fracasso na arte da conquista (leia mais sobre isso clicando aqui). O problema é que pra se dar bem aqui na night do Planalto Central você tem que ser PHD nas disciplinas: “eu te quero e vou te ter”, “pode vir quente que eu estou fervendo” e “1,2,3 e já”. Como boa incompetente que sou, reprovei nas 3 ao mesmo tempo. Minhas amigas que já tem alguma experiência no ramo sempre me dão dicas, mas a falta de habilidade da pessoa é um grande problema. Diante da concorrência desleal as solteiras têm que aderir a critérios do tipo: tem todos os dentes na boca, e não fala CRAU-DIA, então tá valendo.
Apesar de nunca me dar bem na piriguetagem, eu considero essa fase extremamente divertida. A gente passa a conhecer pessoas novas, a morrer de rir com as amigas. Percebe que tá mais viva, que tomar biritinhas é tudo de bom, passa a ocupar 100% do tempo, que tem muito mais disposição do que imaginava. Aprende que ir até o chão é o melhor torneador pras pernas. Nessa fase eu enxerguei que assim como eu, existem outras 1892377617861 mil pessoas solteiras, que são extremamente felizes e que super apreciam a própria companhia.
Foi aí que eu saquei que minha vida não poderia se resumir ao meu relacionamento anterior. Eu preciso viver novas experiências, e vejo que talvez o Dani não seja o único amor da minha vida. Pra seguir adiante, eu entendi que precisava me desligar um pouco mais do meu passado, dos contatos diários que eu ainda mantinha com o Dani. Foi super doloroso mudar o status do orkut, tirar as fotos dele do meu quarto, ignorar as ligações e não usar mais o anel de compromisso.Foi trabalho de formiguinha.
Acho que a segunda fase é a mais instável de todas, você vai do céu pro inferno em segundos. As saudades do momento anterior e a euforia do momento atual provocam uma confusão mental absurda. A fase II dura de 3 meses a 1 ano dependendo do caso. Comigo eu acho que ela ainda não acabou.
Fase III: A-FASE-DAS-RECAÍDAS
essa fase ocorre simultaneamente, entre as fases II e IV. São aqueles malditos dias em que você dava tudo pra voltar no tempo, só pra ter ele pertinho outra vez, nem que fosse por algumas horas. Ela traz consigo as lágrimas, a dor e todo aquele saudosismo do que você viveu e do que gostaria de estar vivendo. Ela geralmente dura 1 ou 2 dias no máximo e apesar de a gente duvidar disso: EU PROMETO, ela passa.
Fase IV: A fase do SIM-EXISTE-VIDA-APÓS-O-TÉRMINO.
Essa é a mais recente. Passados 6 meses do fim eu me considero renovada. Tenho novos planos, novas vontades, novas idéias. Só agora eu consigo pensar na minha vida e no meu futuro longe dele. Eu e o Dani nunca brigamos. Mesmo com a traição, com a decepção, eu nunca levantei a voz, xinguei ou tratei ele mal. Nós ainda nos falamos com uma freqüência considerável, em média duas vezes por semana. Não foi fácil saber que ele está num novo relacionamento. Ele também teve os seus altos e baixos e me deu muita força nos meus momentos mais críticos. O Dani é muito especial e sempre vai ser. Sem dúvida, é um dos grandes e maiores amores da minha vida.
Felizmente, eu consegui passar por cima das mágoas e consigo levar somente a parte boa de nós dois, e o relacionamento foi repleto de coisas boas. A vontade de reatar foi superada, e o que eu sinto agora é um carinho indescritível por tudo que me remete a ele. Quero que ele seja feliz denovo, e que faça a nova namorada muito feliz também. Ele merece muito. Nós dois merecemos. Tenho muito orgulho de ter participado da história dele e tenho certeza que eu vou continuar participando de alguma forma.
É claro que essa divisão em fases é meramente ilustrativa. Eu consigo passar por todas elas em um único dia, mas o importante é que eu to me sentindo muito mais forte, pra recomeçar.
Fechar uma fase, romper um ciclo, se reinventar são processos extremamente desafiadores. Eu tive muita sorte em contar com a parceria das pessoas mais incríveis, sem as quais eu jamais teria conseguido. Encerro o ano, extremamente grata, por tudo que aconteceu. Com a certeza que entro em 2011 numa versão muito melhor de mim, do que a que iniciou 2010.
A vocês, meus amores mais lindos: o meu sincero agradecimento por terem contribuído tão ricamente pra que esse ano fosse incrível!
“Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”
Beijinhos estalados
Ju!